08 - David Thomas Broughton - Unmarked Grave http://www.birdwar.com/broughton.htm

Capa do CD de estréia

E como o frio vem chegando, essa canção é daquelas para se ouvir bem acompanhado(a). O que sei do cara é que ele gravou um único cd, com um título bem legal, “The Complete Guide to Insufficiency”, de 2005, que tem apenas 5 músicas, que variam de 6 a 9 minutos cada. Se vocês chegaram a ouvir Antony and The Johnsons (dica de posts anteriores), e gostaram, vão curtir demais o som desse cara. Há uma leve semelhança entre as vozes dos dois. Só que nesse último a coisa é mais folk. Apenas gogó e violão(ões) conduzem as canções repletas de nuances a serem descobertas. Canção bonita de um disco bonito. Vale a pena.

07 - The Dead Science – Ossuary http://www.thedeadscience.com/

Grupo da chuvosa Seattle, formado em 2000 e composto por Sam Mickens e os irmãos Jherek e Korum Bischoff. Pode-se dizer que eles fazem um som triste, com vocais e composições que lembram (mas não é cópia) o Radiohead. A banda imprime um leve tom de jazz à sua música. Não à toa sua formação conta com uma guitarra, uma bateria e às vezes um contrabaixo acústico, às vezes um cello. Som indie rock experimental. A canção indicada é do cd Bird Bones In The Bughouse, de 2004.

A banda "experimentando" ao vivo.

06 - Tindersticks - Snowy in F# Minor http://www.tindersticks.co.uk/

Banda inglesa, de Nottingham, que possui a melancolia como norte musical. Muito embora a canção indicada não reflita essa tal melancolia como se deve, ao ouvir a discografia da banda, tal característica fica clara. Marcada pelo vocal grave de Stuart Staples, a banda tem 13 anos e já gravou 9 cds, e realiza com rara competência um pop rock de se tirar o chapéu. Som agradável, mas não tão óbvio como possa parecer. Confira!

Essa turma sabe ser melancólica.

05 - The Racounters - Broken Boy Soldier http://www.theraconteurs.com/

The Racounters é o novíssimo projeto paralelo (e tão importante quanto) de Jack White (e mais Brendan Benson, Jack Lawrence e Patrick Keeler), líder da dupla White Stripes. Se o White Stripes, ao menos no início, soava como algo novo (uma dupla, homem e mulher, guitarra e bateria apenas, havia um teor enigmático sobre a relação entre os dois etc), o Racounters não possui esse teor original. Contudo, a massa sonora dos caras é coisa para poucos. Confesso que ainda não ouvi o cd como deveria, com a calma que ele exige, mas mesmo assim fiquei impressionado. Excelente novidade e a esperança de que a boa música possui caminho longo nessa vida. Em relação à canção indicada, lembra, de cara, uma sonoridade ledzeppiana, coisa que tem que ter coragem e principalmente talento para se fazer. Mas o cd é muito mais do que meras influências diluídas em canções. É Rock and Roll puro! Diversão garantida! Não percam de jeito nenhum!

04 - Morrissey - I Will See You In Far-Off Places http://www.morrisseymusic.com/

Essa indicação vem do último cd do Morrissey, “Ringleader of the Tormentors”, gravado neste ano. Teve gente que gostou. Teve gente que nem tanto. O fato é que ele não supera o essencial “You Are The Quarry”, de 2004, que marcou o retorno triunfal do bardo inglês após 7 anos sem gravar o que fosse. E penso que a intenção nem tenha sido essa. É outro disco, apenas. Muito embora quando se fala em Morrissey é complicado utilizar tal advérbio. Mesmo que ele jamais tenha feito algo em carreira solo como fez quando liderava o Smiths, a questão é que ele é bom pra caramba, escreve coisas que pouquíssimos conseguem, e compõem melodias que servem de conforto para corpos e mentes que querem algo mais do que um simples somzinho descartável. Em suma: O cara é foda.

Capa do CD Ringleader of the Tormentors

03 - Arctic Monkeys - I Bet You Look Good On The Dancefloor http://www.arcticmonkeys.com/

Banda de Sheffield, Inglaterra, formada por Alex Turner (guitarra e vocal), Jamie Cook (guitarra), Andy Nicholson (baixo) e Matt Helders (bateria). Citando – e reproduzindo - como influência gente com Smiths, Clash e The Jam, a moçada do Arctic Monkeys ganhou o mundo pela internet através de um cd pirata e apenas depois disso é que assinou contrato e gravou seu primeiro cd. Já li muita coisa antagônica sobre o Arctic Monkeys. De que eles seriam a salvação do rock, e por isso mesmo foram incensados como a nova maravilha da música. Escreveram sobre “histeria mundial”, “recorde de vendas” etc. Mas escreveram também que a banda é uma porcaria, que só faz cópia descarada de outras bandas e que não passava da nova “melhor banda do fim de semana”, ou seja um simples e novo passageiro hype (termo que veio da moda usado pelos “mudernos” para classificar algo novo, diferente, bacana). Vamos com calma: nem tanto ao mar nem tanto a terra. Os Arctic Monkeys são a salvação do Rock? Claro que não (mesmo porque essa história de que o rock precisa de salvação já encheu o saco). Mas não dá para simplesmente classificar a banda como uma mera xérox de outras bandas. Após ler gente que eu considero tecer grandes elogios ao som da banda, confesso que esperava mais do disco de estréia, “Whatever People Say I Am, That's What I'm Not”, lançado neste ano. O disco me soou irregular. Claro que há grande petardos sonoros ali, como a faixa que abre o cd “The View From the Afternoon”, ou “Dancing Shoes” e principalmente a canção indicada, além de outras, e nelas é possível encontrar algo interessante como riffs pesados e grudentos, bateria forte, quebras de andamento, sonoridades dançantes bem legais. Ainda assim a impressão é a de que ficou faltando algum tempero, aquela coisa que provoca uma sensação de bem-estar imediato quando se ouve um cd de que realmente gostamos por inteiro. Porém, o cd vale, sim, uma audição acurada (ou várias como preferir) para você mesmo poder julgar o som dessa banda, que pelo visto é adepta de títulos longos (a começar pelo nome do cd), como por exemplo “You Probably Couldn't See for the Lights But You Were Staring Staight”, “Perhaps Vampires Is a Bit Strong But...”, “Red Light Indicates Doors Are Secured”...

Capa bacanuda do CD de estréia dos moleques de Sheffield.

02 - Grandaddy - Now It's On http://www.grandaddylandscape.com/

Esses pintas estranhos fazem um baita som!!!

Dado Meramente Explicativo (versão 1.0): Formada em 1992, em Modesto, na Califórnia, EUA, essa banda executa um maravilhoso indie rock que não te deixa indiferente de jeito nenhum.

Dado Meramente Explicativo (versão 2.0): Formada em 1992, em Modesto, na Califórnia, EUA, essa banda é composta por Jason Lytle: vocal, guitarra, teclado; Kevin Garcia: baixo; Aaron Burtch: bateria; Jim Fairchild: guitarra; Tim Dryden: teclado, e executa um maravilhoso indie-folk-space-rock, repletos de preciso barulhos estranhos (sejam vocais ou não), que não te deixam indiferente de jeito nenhum. A influência do R.E.M., Radiohead e Flaming Lips é algo nítido, o que pode significar muito coisa legal.

Dado Ruim (pessoalmente falando): Não faz tanto tempo que eu conheço o Grandaddy. Havia ouvido uma música ou outra, mas nunca me preocupei em conhecer a fundo essa banda. Fui fazer isso há alguns meses atrás. Constatei, após ouvir uma boa parte da discografia da banda, que deveria tê-lo feito antes! Perdi tempo! Perdi a oportunidade de ter tido muito mais momentos de contentamento na minha vida! Pior para mim.

Dado Péssimo (para quem não tem grana): Entre álbuns, singles, eps, splits (cds geralmente divididos por duas bandas, no qual cada banda grava duas músicas), promo cds etc, essa banda conta com mais de 60 !!! cds gravados.

Dado Excelente (para quem tem banda larga): Entre álbuns, singles, eps, splits (cds geralmente divididos por duas bandas, no qual cada banda grava duas músicas), promo cds etc, essa banda conta com mais de 60 !!! cds gravados.

Dado Patente (bendito seja o Soulseek) : As duas primeiras músicas da coletânea que sugiro abaixo não são possíveis de serem encontradas em nenhum dos mais de 60 cds da banda, mas sim em uma simples fita cassete gravada e lançada em 1994. Como ter acesso a isso aqui no Brasil? E depois pedem – e exigem - para que não se compartilhem arquivos?!?!?!

Dado Desastroso de Grandes Proporções (e isso não tem remédio): a banda não existe mais. Encerrou suas atividades após gravar o álbum "Just Like The Fambly Cat", deste ano.

Coletânea sugerida

01 - Gnarls Barkley - Crazy http://www.gnarlsbarkley.com/ 

Essa música é uma coisa contagiante de cabo a rabo!!! “Crazy” é o primeiro single do álbum St. Elsewhere, lançado este ano pelo duo Cee-Lo (voz) (que fez parte de um grupo chamado Goodie Mob) e Danger Mouse (DJ e produtor) (que faz parte da banda Gorillaz). Assemelhando-se ao Outkast, o som que se encontra nessa canção (como no cd como um todo) é uma mistura competente de soul, funk, rap, hip-hop, pop, música eletrônica etc, algo como há muito tempo eu não ouvia, ou algo como há muito tempo não me corrompia, no bom sentido do termo. Não há com não se remeter a Stevie Wonder e ao Funkadelic. Hipnose garantida!!! Um aviso: vá à cata do cd todo. Não fique apenas nessa música (que já é sensacional). Mas caso não queira esperar dê uma conferida no clipe e comece a se deleitar o quanto antes com esse som que não te deixa passivo de jeito nenhum.

Essa é a dupla que está botando pra quebrar!!!

“a música é sua única amiga... até o fim.”

Moçada,

estão aí mais algumas dicas de boa música para vocês procurarem e se deliciarem. Antes, porém, começo hoje uma lista de 100 covers, na minha opinião, imperdíveis. O que existe de cover não é mole, é muita coisa realmente. Por isso, separei 100 para que vocês possam ouvir canções executadas de outra forma (e, às vezes, de tão outra forma que leva um tempo para se perceber de qual canção se trata). O único critério dessa lista é não repetir nem a banda que executa nem a música que é tocada. Seguem as primeiras 20 (por ordem alfabética, não de preferência) e depois os posts da semana.

Abraço a todos! Grande semana!

Alexandre

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