MOÇADA... O BLOG FICARÁ FORA DO AR NESSA ÉPOCA DE COPA DO MUNDO. COMO EU SÓ TENHO O FIM DE SEMANA PARA POSTAR, E ADORANDO FUTEBOL, TANTO QUANTO MÚSICA, NÃO CONSEGUIREI ESCREVER OS POSTS COM TANTO JOGO PASSANDO NA TV (SÓ HOJE SERÃO TRÊS E AMANHÃ MAIS TRÊS). POR ISSO, AO MENOS NESSA SEMANA, NÃO ESTAREI POSTANDO. QUEM SABE SEMANA QUE VEM. MAS NÃO PROMETO. PEÇO QUE ME DESCULPEM, MAS O TEMPO É ESCASSO E PARA FAZER ALGO MEIA-BOCA, PREFIRO NÃO FAZER.

AGRADEÇO, DESDE JÁ, PELA COMPREENSÃO.

ABRAÇOS A TODOS!!! GRANDE SEMANA!!!

Los Hermanos 4

 

 

Quando se pensa em Los Hermanos, há que se esquecer o primeiro disco (mas não de todo) e principalmente os hits radiofônicos Anna Júlia e Primavera. O fato dessas canções virarem hits foi forçação da gravadora, já que há outras canções naquele primeiro álbum muito melhores que essas duas. Um dos fatos que mostra a competência da banda é ter sobrevivido, de forma impecável, principalmente ao hit Anna Júlia, coisa que poderia tê-los prejudicado, e muito. Assim, criado esse hiato em seu cérebro, passemos ao segundo (que a partir de agora, para vocês, será o primeiro, ok?) disco, Bloco do Eu Sozinho, que começa a demonstrar a que a banda carioca veio, já que ali há uma inversão da sua sonoridade inicial. Nesse cd há um som bem mais leve do que antes, marcado por melancolia e tons um pouco sombrios, tendo por base a presença de metais e um namoro com a MPB. Surge o terceiro (que ficou sendo o segundo, lembram-se?), Ventura, que seria uma extensão do Bloco do Eu Sozinho. Há um ganho de qualidade em termos de música e letra. Há uma diminuição dos metais em relação ao anterior e aquele namoro com a MPB mostra-se mais incisivo. Finalmente veio o 4 (o terceiro, na verdade). Complicado dizer que 4 seja um disco de rock. Mas complicado também dizer que ele não seja. Não sei. Não consegui rotular esse disco. Assim, fica sendo, para efeito do conteúdo deste blog, como um disco de rock, combinado? Sobre o cd, li do crítico Carlos Eduardo Lima, que 4 é “música de almoço de domingo com a família com Coca Cola litro de vidro nos anos 70, música de amor por alguém que nunca nos olhou nos anos 80 ou música de faculdade e tédio no quarto nos anos 90. Talvez possa já ser música de porta de LAN house, depois do fora via MSN, nos anos 00.” Definição mais precisa não há. Os arranjos parecem econômicos, sem sê-lo. Na verdade ali parece estar contido o trabalho de um ourives meticuloso. As letras são tensas, agridoces. As melodias possuem um tom de inverno ou algo assim. O fato é que 4 emociona “é de lágrima / que eu faço uma mar pra navegar / vamo lá / eu não vi, não, final / sei que o daqui teimou de vir tenaz assim / feito passarim”, de É de Lágrima, te põe para pensar “já vou... será? / eu quero ver o mundo eu sei não é esse lá / por onde andar?”, de Primeiro Andar, te faz sorrir e acreditar “por onde vou guiar o olhar que não enxerga mais / dá-me luz, deus do tempo / dá-me luz, deus do tempo / neste momento menor / pra eu saber teu redor / a gente que ver / horizonte distante / a gente que ver / horizonte distante / aprumar”, de Horizonte Distante. Esse é o tipo de disco que deve ser curtido com um fone de ouvido para se conseguir captar as nuances contidas nas canções. Com 4, o Los Hermanos construíram um disco que marca, sim, o rock nacional e a música brasileira como um todo. E o melhor: fizeram isso de forma inesperada, quando todos esperavam um Ventura 2, e o fizeram com uma desfaçatez incomum. O descaramento, às vezes, pode ser positivo.

Nação Zumbi Nação Zumbi

 

 

Há muita gente – desde críticos até gente da minha esfera de amizade – que considera o primeiro disco do então grupo Chico Science & Nação Zumbi, Da Lama ao Caos, como o melhor já feito pela banda. Não há como negar a importância desse álbum para a música, já que ele representa o início - gravado – do movimento Mangue Beat, no qual havia a mistura de guitarras pesadas, muita percussão e ritmos e temáticas regionais. Assim, com esse álbum, gravado em 1994, o país tomou conhecimento daquele som/movimento vindo de Recife, liderado pela figura emblemática de Chico Science (que morreria em um acidente de carro três anos depois). Tanto assim, que no encarte do disco há um texto explicando o significado do movimento. Disco que imprime, portanto, uma grande marca para o rock nacional e para a música como um todo. Mas... em termos de satisfação que um álbum pode proporcionar, fico com o Nação Zumbi, gravado em 2004. Foi o terceiro disco do grupo após a morte prematura de Chico Science. Antes vieram CSNZ, de 1998, um cd duplo composto de músicas inéditas, versões ao vivo, remixes e uma canção homenagem a Chico Science chamada Malungo, que contou com a participação de Jorge Bem Jor, Fred 04 (do mundo livre s.a., outro grupo representante do mangue beat), Falcão (do Rappa) e Marcelo D2, e o irregular Rádio S. AMB. A, de 2000. Essa irregularidade foi positiva, já que, aparadas as arestas, refeitas as sonoridades, equilibrados os instrumentos, em 2004 o grupo produziu o cd que, para mim, é realmente o melhor da banda. Denominado apenas de Nação Zumbi, esse cd marca o encontro definitivo da banda (conduzida por Jorge Du Peixe, Gilmar Bola 8, Lúcio Maia, Pupilo, Dengue e Toca Ogan) com seu norte musical, sem a presença de Chico, devido o bom gosto dos arranjos e a construção de letras. É difícil destacar uma canção desse álbum tal o vigor e a coesão que ele traz consigo. É um disco que possui começo, meio e fim, sem ser conceitual. Ou melhor, ele não possui começo, meio e fim. Na verdade ele é um todo, uma “massa” sonora (no melhor sentido do termo), que acaba te sugando e te hipnotizando, sob a base dos tambores que - ainda - marcam o rumo rítmico do grupo. Esse é um álbum para ser ouvido várias vezes (tal qual os últimos do Radiohead). Uma única audição não irá te satisfazer. E pior: você poderá não encontrar as sutilezas presentes nas canções e terminar por considerá-lo apenas mais um disco de rock nacional. Ouça-o, portanto, repetidas vezes.

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