10 - Jericho Jones - Man in the Crowd

 

Banda originária de Israel, que em apenas dois discos "Junkies, Monkeys & Donkeys" de 1971, e “Jericho Jones”, de 1972, deixou para nossos ouvidos uma pequena coleção de canções rock and roll da melhor qualidade. Formada por Alain Romano (guitarra), Mike Gabrielle (baixo), Robb Huxley (guitarra), Danny Shoshan (vocal) e Ami Criebich (bateria), esse quinteto misturava hard rock com psicodelismo, produzindo um resultado notável. Quando se fala em rock dos anos 70, é inevitável que se pense em Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, isso para não avançar no progressivo com Yes, Pink Floyd etc. como bandas de referência de um tipo de som/época. Posso dizer com toda a certeza: o Jericho Jones pode e deve estar ao lado dessas grandes bandas, já que seu instrumental é primoroso e seu vocalista tem uma baita voz.

Esses pintas realmente estranhos fizeram um som que deve ser muito respeitado.

09 - Saturday Looks Good To Me - I Wish I Could Cry http://www.slgtm.com/

 

Banda norte-americana, de Michigan, que te remete de imediato ao Belle & Sebastian, mas nada de cópia, já que eles surgiram quase na mesma época. A partir da introdução dessa canção indicada, você é jogado para os anos 60, de onde vêm muitas das influências da banda. Na verdade, pode-se encontrar pelas canções trompetes, tamborim, sinos, percussão, teclados, baixo, viola, violoncelo, saxofone, guitarras, o que não faz com que o som se torne complexo e/ou experimental. A banda tem um controle exato sobre os arranjos e o que se ouve são canções de melodia simples, bem elaboradas e cheias de energia. Não há como se postar passivo diante de seu som. Em tempo: esse é daqueles casos que só pelo nome se vê que a banda é boa. Convenhamos “Sábado parece bom pra mim” é um baita nome. Ou não?

A trupe do SLGTM.

08 - Midnight Oil - Only the Strong http://www.midnightoil.com/

 

Banda veterana, de Sidney, Australia, que antes de adotar esse nome tinha o simple nome de Farm. Putz!!! Midnight Oil é duzentas vezes melhor e um baita nome legal para uma banda de rock!!! Fazendo uma linha do “politicamente correto”, as suas letras abordam temas como meio ambiente, movimentos anti-belicistas, anti-nucleares, movimentos a favor de minorias (como os Koori, uma raça de aborígenes da Austrália), e por aí vai. Para vocês terem uma idéia do teor político da banda, o vocalista, Peter Garret, quase venceu as eleições para o Congresso da Austrália, filiado ao Partido do Desarmamento Nuclear. Por esse ativismo político, social e ecológico, em certo momento, considerou-se que a banda seria o novo U2, coisa que não aconteceu. O som da banda é um rock and roll sem firulas. Vale dar uma conferida na discografia geral no som do grupo. Mas comecem com a canção indicada.

O altão do meio é que quase venceu as eleições.

07 - Los Saicos – Demolicion

 

O Los Saicos é um grupo peruano de punk-garagem dos anos sessenta (!!!), e por isso mesmo uma raridade. Apenas como curiosidade, o nome original da banda era Los Sadicos, que virou Los Saicos devido à censura local. Pode-se considerar essa banda como um misto de Trashmen, Ramones e Cramps (lembrando que eles são anteriores às duas últimas). Executando um instrumental alto e agressivo, principalmente para a época, os temas escolhidos para as canções eram, ao menos, inusitados, como se pode ouvir em músicas como ‘Camisa De Fuerza’, ‘Cementerio’ e ‘El Entierro De Los Gatos’. Somzaço!!! Rock and Roll na veia (para ficar com um jargão).

Os integrantes do Los Saicos fazendo cara de bons moços.

06 - Kimmo Pohjonen – Ulaani

http://www.kimmopohjonen.com/

 

O cara é da Finlândia e toca acordeão. Influenciado pelo pai, na escolha de um instrumento tão singular, Kimmo Pohjonen já tocou em mais de 70 (!) álbuns e fez/faz parte de diversas bandas de estilos inúmeros, ou seja o cara é muito versátil e bom pra caramba no que faz. Colando efeitos e samples ao som do acordeão, ele produz um som instrumental como se fosse um redemoinho de notas que ficam girando e girando e girando em nossos ouvidos e mentes. Ouçam a canção indicada e vejam como ele "destrói" seu acordeão. Não percam!!!

O finlandês Kimmo com cara de poucos amigos.

05 - Joy Division - The Eternal

http://members.aol.com/lwtua/joydiv.htm

 

O perturbado e genial Ian Curtis.

 

Para não dizer que não falei dos clássicos, indico essa música belíssima de um dos maiores grupos que já passaram por este planeta: Joy Division. A banda surgiu em 1977, em Manchester, sob a influência da explosão do punk, ainda com o nome Warsaw (influência da música Warszawa, de David Bowie). Porém, como já havia um grupo de Londres chamado Warsaw Packt, o grupo, já com sua formação clássica, Steve Morris, Peter Hook, Bernard Summer e Ian Curtis (o genial e perturbado vocalista e letrista) decidiu mudar o nome para Joy Division, uma referência aos prédios nos campos de concentração nazistas, onde as prisioneiras eram forçadas a se prostituir. A banda durou poucos anos, já que em 18 de maio de 1980, Ian Curtis se enforcou, aos 23 anos, na casa de seus pais. Até por isso, sua discografia é reduzida. Mas ainda assim, o Joy Division produziu algumas obras-primas, como Closer (de onde sai a canção indicada), um dos maiores discos de todos os tempos, na minha opinião. Das cinzas do Joy Division veio o New Order, mas que não conseguiu repetir o sucesso do grupo anterior. Talvez pela ausência do lirismo e da angústia de Ian Curtis, que por certo, perdurarão para sempre na história da música, influenciando uma porção de gente boa. Grande banda! Grande som!

 

 

04 - Gravenhurst - I Turn My Face to the Forest Floor

http://www.silentagerecords.co.uk/gravenhurst/

 

O Gravenhurst em ação total!!!

 

O Gravenhurst é bom pra caramba!!! Liderado pelo multi-instrumentista Nick Talbot, que toca violão e canta, com uma voz ora possante, ora tranqüila, o grupo produz uma sonoridade folk, intimista e serena. Ok, muita gente faz isso. Mas aqui há uma diferença que eu ainda não descobri qual é. Os arranjos? As melodias? Não sei. Assim que eu descobrir, e se, eu escrevo. Para se ter uma idéia, após ouvir um dos álbuns, chamado Flashlight Seasons, de 2004, não encontrei um único defeito que fosse. As dez canções que o completam são perfeitas. Complementam-se, misturam-se, produzem uma sensação deliciosa aos ouvidos. Melhor do que escrever é vocês ouvirem. Para tanto segue uma sugestão de coletânea, com o nome do álbum e o ano em que foi feito. Espero que curtam.

 

03 - Brian Wilson - Heroes and Villains http://www.brianwilson.com/

 

A canção indicada é retirada do álbum Smile, produzido no final dos anos 60, e que só há pouco tempo atrás pôde ser ouvido na íntegra, encorpado, finalizado. Explico: lá pelos fins dos ´60 havia uma “guerra” entre os Beatles e os Beach Boys. Em 1965, após os Beatles lançaram Rubber Soul, Brian Wilson, líder dos Beach Boys, impressionado com o conteúdo daquele disco, respondeu, lançando Pet Sounds, em 1966, um dos mais singulares e maravilhosos discos de todos os tempos. Para se ter uma idéia, reza a lenda que Paul McCartney, após ouvir aquele disco, chorou de emoção. Para “contra-atacar”, os Beatles  gravaram, ainda em 1966, Revolver (que na minha opinião está entre as quatro melhores coisas que eles fizeram, ao lado de Rubber Soul, o Álbum Branco e Sgt. Peppers). Para “contra-contra-atacar”, Brian Wilson começou a compor o sucessor de Pet Sounds, Smile. Antes dele terminar, foi lançado, em 1967, o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o que provocou, ainda de acordo com a lenda, um colapso nervoso em Brian Wilson, o que acarretou no arquivamento do álbum. Independentemente disso ser ou não verdade, de lá para cá houve o lançamento de algumas versões fragmentadas de Smile. Apenas 37 anos depois Brian Wilson retomou o projetou, indo à cata dos fragmentos e lhe dando uma coesão, o que resultou na versão definitiva de uma das maiores obras da música pop. Embora hoje as dezessete canções do álbum possam, em determinado momentos, soar datadas, ainda assim Smile é um disco que deve estar em qualquer lista dos 20 ou até mesmo dos 10 maiores discos de todos os tempos.

A capa da obra-prima e seu criador, ainda novo e não tão perturbado.

 

02 - Black Mountain - Don't Run Our Hearts Around

Banda canadense, que, à primeira audição, lembra Deep Purple, mais um pouco traz à lembrança Led Zeppelin e por fim vem o Black Sabbath, mas tudo isso com uma sonoridade moderna, já que a banda não busca apenas e tão somente um revival dos ‘70. Outra coisa bem legal é que há uma divisão dos vocais entre Stephen Mcbean e Amber Webber, o que sempre causa um efeito bacana nas canções. Som vigoroso, pesado, preciso, seguro, sem firulas. Banda que promete muito, já que a música indicada faz parte do único registro do Black Mountain até aqui, gravado ano passado.

O Black Mountain no lusco-fusco.

01 - Badly Drawn Boy - You Were Right http://www.badlydrawnboy.co.uk/

 

Damon Gough é o tal que atende pelo apelido de Badly Drawn Boy (na tradução, menino mal desenhado, feito aquele bonequinho de cabeça de bola e corpo e membros de traços, que qualquer criança e/ou adulto fazem para representar uma pessoa). Ele foi o vencedor do Mercury Music Prize (o mais importante prêmio da música inglesa) com seu primeiro disco, “The Hour of the Bewilderbeast”, o que o tornou muito conhecido na Inglaterra. Mas foi em 2002 que BDB ganhou o reconhecimento fora dali. Naquele ano, houve o projeto do best-seller de Nick Hornby (que também escreveu Alta Fidelidade, que também virou um baita filme) About a Boy (no Brasil traduzido por “Um Grande Garoto) de se tornar filme, e BDB foi chamado para compor sua trilha. Influenciado por uma porrada de gente tão diferente entre si como Beatles, Bruce Springsteen, Miles Davis, Nirvana, Charlie Parker, o cara, que toca e arranja tudo nos seus discos, explora com perfeição as inúmeras possibilidades sonoras existentes e oferece canções que te tomam por inteiro. Ele é eclético sem ser chato. E um excelente músico.

Taí o garoto mal desenhado.

"A música é sua única amiga... até o fim."

 

Moçada,

 

pelo visto, mais um fim de semana gelado, convidativo para um vinho e boa música (e mais o que se queira).

Espero que gostem das dicas da semana, que divulguem e comentem o conteúdo do blog.

Antes, porém, fiquem com uma imagem clássica do filme Pulp Ficition, de Quentin Tarantino, onde Uma Thurman participa de um concusro de dança com John Travolta.

 

Abraço a Todos! Grande Semana!

 

Alexandre

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