10 - Tom Waits - Romeo is Bleeding http://www.officialtomwaits.com/main.htm

 

 

Sobre Tom Waits, não há o que falar. Fiquem com um trecho de um texto bem legal colhido na net, que busca descrever um pouco a essência desse americano de 56 anos que continua ensinando muita gente como (e para quê) se fazer música.

“Parece brincadeira, mas o fato é que Tom Waits, com sua voz rascante, instrumentação desafinada e letras sem nenhum nexo aparente, é um sujeito que nos leva a refletir sobre que raios estamos fazendo aqui, neste mundo repleto de imbecilidades e desgraça, pergunta pertinente a qualquer metafísica que se preze. Se, para um Aristóteles todo homem busca conhecer e, para um Santo Tomás, todo homem deve unir a razão e a fé, para Tom Waits, todo homem fica feliz com um copo de bourbon, uma mulher com cabelos oxigenados e uma lata de feijões nos momentos em que a solidão bate fundo. É um alvo baixo, devemos confessar, mas quem disse que não é verdade? Às vezes, o ser humano deixa a baixeza se disseminar nas suas atitudes. Mas isso não significa que Tom Waits seja um artista de quinta categoria, com objetivos de décima. Ele retrata um mundo muito particular, um mundo em que perder é sempre uma constante e, por isso mesmo, o Diabo apronta as suas. No entanto, como bem descreve Tom Waits, na canção Heartattack and Vine, o Diabo não existe - foi Deus mesmo quem aprontou toda essa bagunça, quando estava curtindo uma bela birita. (...)" (Martim Vasques Cunha)

 

09 - The Wedding Present - Always The Quiet One http://www.westnet.com/weddoes/

 

1987 marcou o fim de uma das maiores bandas de rock do mundo, os Smiths. Com isso, a imprensa musical britânica se desdobrou para encontrar um grupo substituto. A bola da vez foi o The Wedding Present, formado em 1985, em Leeds, que, em dois eps, já havia demonstrado toda a sua qualidade. O que se confirmou com o lançamento do primeiro álbum, “George Best”, em 1987 (Apenas para registrar: o George Best que dá nome e surge na capa do disco foi jogador do Manchester United, nos anos 60, sendo considerado um dos maiores jogadores britânicos da história, mas que teve uma carreira curtíssima, de apenas 5 anos, dos 17 aos 22, graças a uma intensa vida de luxúria. Pelo menos é o que dizem). Porém, apesar de todo esse sucesso na mídia inglesa, a banda liderada por David Gedge ficou por ali, não em termos musicais, já que eles gravaram mais 6 cds, o último do ano passado (o que promoveu o retorno do grupo), mas em termos de reconhecimento. Um dos fatores foi a ascensão do som alternativo americano que culminaria no sucesso do Nirvana, entre vários outros, o que abafou a promissora carreira de gedge e sua turma. Sobre o som, o TWP une guitarras nervosas e riffs pegajosos, tudo conduzido magistralmente pelos vocais de Gedge, inspirados, óbvio, em Morrissey.

Taí a capa do álbum que leva o nome do tal George Best

que se entregou de corpo inteiro aos prazeres da carne.

08 - The Clash - Brand New Cadillac http://www.theclashonline.com/

 

“London Calling” é um disco de referência do rock, e o será para sempre em qual tempo for. Ele tem que estar em qualquer lista dos maiores 5 cds de rock do mundo. Foi exatamente a partir desse disco que o Clash saiu do rótulo de banda de punk rock para banda de rock, não sei se conscientemente ou não. Experimentando a mistura do rock com o reggae, o rockabilly e o ska, o Clash fez um disco perfeito, do começo ao fim. Algumas curiosidades que cercam “London Calling”: ele foi o primeiro grande álbum duplo da história do punk rock, com 64 minutos e 59 segundos. As cores e a disposição gráfica das palavras na capa são uma homenagem à capa de “Elivs Presley 56” (Veja as fotos abaixo). Quem aparece prestes a quebrar o instrumento na foto da capa é o baixista Paul Simonon, e a foto, tirada por Pennie Smith (que ilustra o comentário inicial dos posts dessa semana), é tão intensa que figura entre as primeiras colocações em todas as eleições de principais capas de discos de todos os tempos. Item essencial para a sua vida. Pode acreditar.

 

 

07 - KAK - Disbelievin'

 

Essa banda faz parte daqueles casos de bandas que aparecem, gravam um disco e somem de forma instantânea. Formada em 1968, em São Francisco, lançou apenas um disco, homônimo. Pela época ficam claras as influências: Beatles, The Who, Neil Young, Kinks entre outros. Pode ser que o fato de terem feito um único disco tenha contribuído para a grande diversidade sonora contida nesse álbum. Tanto que há instrumentos incomuns como cítara, maracas e tabla. Contudo, apesar de se notar um viés psicodélico pelas canções, não é possível rotular o som da banda a não ser de rock and roll. O KAK é como uma daquelas raridades que se encontra meio sem querer em sebo de discos de vinil. Você nunca ouviu falar da banda mas pela capa e/ou pela figura dos caras você compra o disco e se surpreende positivamente. Você já fez isso alguma vez? Senão faça. A chance de você se dar bem é muito grande.

Essa é a psicodélica capa do único álbum da banda.

06 - The Vaselines - Son of a Gun

http://www.geocities.com/SunsetStrip/Towers/7085/

 

Banda de indie rock formada em 1986 e desfeita em 1990, liderada por Eugene Kelly, que depois gravou cds solo e montou outra banda, chamada Eugenius. Além de Eugene, participavam da banda Frances McKee, James Seenan e Charle Kelly. Após a separação, eles se reuniram uma única vez, para abrirem um show do Nirvana, de Kurt Cobain, que nunca escondeu a enorme influência que sofreu do Vaselines. Tanto assim que eles gravaram três canções da banda: “Molly´s Lips” e a indicada “Son of a Gun”, que saíram no álbum “Incesticide” e “Jesus Wants Me for a Sunbeam” que fez parte do repertório do álbum “MTV Unplugged”, o que terminou por tornar a banda mais conhecida. Sobre “Son of a Gun”, na minha modestíssima opinião, é uma das músicas mais legais da história do rock, e, embora seja difícil dizer isso, a sua versão original é muito melhor do que a do Nirvana. “Apenas” um detalhe: a banda é da Escócia!!!

 

Eugene e Frances em momento "clipe do Belle and Sebastian".

05 - Nick Cave – The Mercy Seat

http://www.nick-cave.com/

 

Esse figura lúgubre é o Nick "Caverna".

 

Pensar em Nick Cave significa associá-lo ao depressivo, ao lúgubre e até mesmo ao macabro, tal a sonoridade/conteúdo das canções desse cantor/compositor australiano. Tendo iniciado sua carreira em 1976, o cara está na ativa até hoje fazendo baitas discos, sempre contando com uma banda de apoio, no início com The Birthday Party e na seqüência com a excelente The Bad Seeds, que responde pela sua melhor produção musical. Fazendo canções ora sombrias, claustrofóbicas, ora firmadas no blues, ora construídas sobre um rock and roll furioso, Nick Cave e os Bad Seeds primam pela riqueza instrumental. Como introdução, para quem não o conhece, vá com fé (se você a tiver) em “Tender Prey”, de 1988, na minha opinião, o seu melhor disco (e para minha sorte o primeiro dele que eu comprei, ainda em vinil), no qual podemos encontrar canções como "The Mercy Seat" (a indicada), que narra as impressões de um condenado à espera da morte,  "Deanna" (um r&b rapidinho com letra assassina), "City of Refuge" (um blues-rock sobre paranóia urbana), "Slowly Goes the Night" (balada de piano com piano de quinta e vocal cafona, propositalmente), "Watching Alice" (a canção depressiva), entre outra maravilhas. Apenas como curiosidade, para quem é fã do seriado Arquivos-X, a primeira trilha (que é a do seriado, não a do filme), traz “Red Right Hand", que inclusive toca em um dos episódios. Segue abaixo uma sugestão de coletânea para quem interessar possa. Recomendo!

04 - Elbow - Fugitive Motel

http://www.elbow.co.uk/index.asp

 

Quinteto natural de Manchester formado por Guy Harvey [vocal], os irmãos Mark [guitarra] e Craig Potter [órgão], Pete Turner [baixo] e Richard Jupp [bateria]. A banda classifica sua música como "progressivo sem solos", a que pode se acrescentar um outro rótulo: “sentimental sem ser pieguas”, afinal o sentimento não precisa estar vinculado a clichês melosos. A cada audição dos seus três cds (e garanto que não será suficiente, você não vai se dar por satisfeito(a) com tão pouco), é possível descobrir belíssimos segredos sonoros escondidos pelas faixas, nas quais se reproduz uma sonoridade tão peculiar quanto emocionada, repletas de tons agridoces. Banda para se guardar em alguma pasta da sua HD escrita “melhores”.

03 - Death From Above 1979 - Turn It Out http://www.deathfromabove1979.com/

 

Grupo formado em 2000 que, para infelicidade de nossos ouvidos, encerrou suas atividades seis anos e um cd e dois eps depois. Seguindo a fórmula que tem surtido um baita efeito nos últimos tempos, ou seja, reduzir a banda a dois integrantes, apenas (como White Stripes, The Fiery Furnaces, Lightining Bolt, entre outros), essa dupla canadense, formada por Sebastien Grainger (bateria e vocais) e Jesse F. Keeler (baixo e sintetizadores), constrói suas canções com muitos – e competentes - riffs e uma bateria pauleraça, exata, que detona seus ouvidos sem pena. De cara procure o único álbum da banda, “You´re a Woman, I´m a Machine”. É daquelas coisas para se ouvir alto, bem alto.

A dupla encarando uma mistura de álcool e água

 

 

02 - Dead Kennedys - California Uber Alles http://www.deadkennedys.com/

 

A primeira vez que eu ouvi essa banda e essa música em específico eu tinha, se tanto, uns 15 anos, e tive o prazer de ouvi-la em um disco de vinil branco (coisa rara), que um colega de classe se orgulhava de ser o feliz proprietário, chamado “Fresh Fruit for Rotten Vegetables”. Esse disco, de 1980, é um clássico do punk rock, como o é a banda em questão. Formada em São Francisco, em 1978, a banda, liderada por Jello Biafra, fez da contestação seu eixo, através do sarcasmo e da ironia. O seu alvo principal era o governo. Independente de qualquer coisa, o que eu sei é que essa canção é daquelas matadoras para se ouvir por vezes a fio, sem enjoar.

E.T. Jello Biafra, através de sua editora Alternative Tentacles (eta nome legal!!!) foi responsável pelo lançamento de várias bandas punk e alternativas.

 

Esse pinta com sorriso e olhar estranho é o Jello Biafra.

01 - Alice in Chains - Love, Hate, Love http://www.aliceinchains.net/

 

E para marcar essa volta nada melhor que começar com uma excelente banda de Seattle: Alice in Chains. Fomada em 1987, quando Layne Staley (vocalista) conheceu Jerry Cantrell (guitarrista) na cidade citada. Participavam ainda Mike Inez (baixo) e Sean Kinney (bateria). Considero o primeiro disco, "Facelift", de 1990, um clássico do rock and roll, ao lado de "Nevermind", do Nirvana, e de "Ten", do Pearl Jam, apenas para ficarmos em Seattle e no movimento grunge. O disco é perfeito, do começo ao fim, sem qualquer senão. São dele os clássico “Man in the Box”, We Die Young”, “Confusion”, “Real Thing”... só musicão!!!! Se puder tê-lo todo, melhor, senão fique com a faixa indicada. A banda terminou em 2002, com a morte de Layne Staley, vítima de uma overdose de cocaína e heroína.

Essa é a capa bacanuda do primeiro álbum do AIC.

"a música é sua única amiga... até o fim"

 

Moçada,

 

espero, passada a turbulência do início desse semestre, que os posts retornem com a mesma freqüência de antes. Da minha parte farei o possível para isso. Espero que vocês possam estimular a vida deste blog com seus comentários e a sua divulgação para os outros.

 

Abraço

Alexandre

Viva o ROCK AND ROLL!!!

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