The Mars Volta – Inertiatic

http://www.themarsvolta.com/

 

Esses dois caras vão derreter seu cérebero.

 

O The Mars Volta possui como núcleo principal dois pintas texanos: Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodriguez-Lopez, componentes da finada banda “At the Drive-In”. Misturando rock, punk (essa era uma das linhas da antiga banda) experimentalismo, psicodelismo e até jazz o The Mars Volta bate tudo isso, engole e te cospe na cara um rock progressivo diferente de tudo que você já ouviu. A sonoridade dos caras transpira originalidade e competência. Adjetivos? Inquieto, esquisito, copioso, desconexo, passional e mais uma porção de coisas. É música que esmaga, frita e consome teu cérebro. E ainda assim (e talvez mesmo por isso) você quer mais e mais e mais. Cria dependência, entende? Se não acredita, vá à cata nas “boas casas do ramo” dessa pequena coletânea sugerida abaixo e seja consumido e subjugado pelo som dos caras. Abra a sua mente.

 

Jack - 3 O'clock In the Morning

http://www.anthonyreynolds.net/

 

O dono da coisa toda se chama Anthony Reynolds. Para se ter uma idéia da intensidade da produção do sujeito, ele tem uma discografia com o nome de Anthony, uma com o nome de Anthony Reynolds, uma com o nome de Jack e uma com o nome de Jacques. Isso se não tiver mais. Jack é uma banda, liderada, óbvio, por Anthony, que faz um som que pode ser uma mistura de Chris Isaak com Britpop (por exemplo, o Pulp). Foi complicado conseguir os cds da banda, mas eu recomendo todos eles!!! O restante da sua produção eu não tive tempo de ouvir. Mas assim que conseguir, passo as informações.

O polivalente Anthony/Jack/Jacques.

Chikinki - Assassinator 13 http://www.chikinki.co.uk/

 

Banda que vem de Bristol, Inglaterra, cidade que “deu” ao mundo Massive Attack, Tricky, Portishead e outros. Fazendo um som que une Stooges com Super Furry Animals, o grupo gravou um único cd em 2004, chamado “Lick Your Ticket”, no qual se fundem uma guitarra nervosa, um baixo latejante e um vocal muito legal. A curiosidade fica por conta de dois teclados que são tocados como se fossem guitarras. Aproveite e consiga o cd todo. Som para se ouvir bem alto!!! Visite o site dos caras no endereço acima. É um site bem legal, acima da média da maioria dos sites de bandas/cantores(as).

Bikini Kill - New Radio

http://www.tigerbomb.net/

 

Antes de falar sobre a banda, é preciso situar um movimento surgido no início dos anos 90, o Riot Grrrls, grafado exatamente dessa forma, com três “erres”. O rock sempre se mostrou machista, sendo que à mulher, ali, na maioria das vezes, sempre coube, estupidamente, um papel de tiete ou de musa, e que dificilmente, machistamente falando, teria capacidade para tocar algum instrumento musical como guitarra, baixo ou bateria. É contra essa postura que as Riot Grrrls vão se colocar, tentando defender a liberdade feminina no rock como também em outros setores. Pois bem, a banda Bikini Kill (que em um primeiro momento, divulgava suas idéias através de um fanzine) foi um dos expoentes desse movimento. O maior destaque é a Kathleen Hanna, vocalista da referida banda, que pode ser considerada uma das primeiras desse movimento, e a mais radical. Apesar do Bikini Kill ter sido a banda mais influente, a viúva de Kurt Cobain foi, injustamente, considerada o ídolo maior do Riot Grrrl. Quanto ao som? Punk rock com letras políticas e feministas. A banda terminou em 1998, tendo gravado dois álbuns e alguns eps e singles. Hoje, Kathleen Hanna está na banda Le Tigre, fazendo mais ou menos o mesmo som de antes.

Taí a pauleira do Bikini Kill.

Twilight Singers - Esta Noche

http://www.thetwilightsingers.com/

 

O Twilight Singers é um dos projetos paralelos de Greg Dulli, líder da banda Afghan Wighs (citada em post da semana passada), e um dos grandes vocalistas da música indie pop. O grupo conta quatro cds (o último foi lançado este ano), sendo que o penúltimo, de 2004, “She Loves You”, é um exercício muito interessante de releituras de canções de gente como Nina Simone, Billie Holiday, John Coltrane, Björk, entre outros. É desse cd uma versão única de “Summertime” (coverizada por Deus e o mundo, imortalizada por Janis Joplin). Confira! Sobre o som, a banda possui um estilo difícil de se classificar, já que se tem um pop rock muito bem trabalhado, erguido sob uma base por vezes de r&b, por vezes de folk, flertando em determinados momentos com o eletrônico tradicional, em outros o trip-hop. Confuso? Pode até ser. Mas não deixem de ouvir as sonoridades executadas por essa competente banda que produz resultados criativos e envolventes. Ouça o Twilight Singers, extraindo ao máximo o prazer que cada canção proporciona, e esqueça da vida pelo tempo que durarem as canções. Vale a pena.

O TS mostrando a competência ao vivo.

PIXIES - DOOLITTLE (1989)

Perfeição Multifacetada em Forma de Pop Rock (mais rock do que pop)

 

Como a grande maioria que curte música sabe, não teria existido Nirvana sem o Pixies. Senão vejamos. Kurt Cobain certa vez revelou: Eu tentava escrever a canção pop por excelência. Mas que nada, na verdade tratava de roubar coisas do Pixies. Tenho que admitir. A primeira vez que escutei a banda, me senti tão identificado que achava que deveria fazer parte dela ou, pelo menos, de uma banda que fizesse covers do Pixies. Com o Nirvana, tomamos seu sentido e dinâmica: uma parte suave e tranqüila e outra forte e potente. Isso bastaria para qualificar o status do Pixies como uma das mais geniais bandas desse planeta. Mas há muito mais, como por exemplo, o fato de o Pixies ter gravado excelentes álbuns, repletos de guitarras ligeiras, melodias grudentas e letras bem construídas. Formado por Black Francis, que respondia pelas guitarras e vocais, Joey Santiago, o outro guitarrista, e mais a baixista Kim Deal e o baterista David Lovering, o Pixies gravou excelentes álbuns, executando uma sonoridade que misturava elementos do punk rock, surf music, noise guitar e pitadas pop. Fiquemos, então, com “Doolittle”, a obra-prima do Pixies, na minha modesta opinião. Lançado em 1989, pelo selo inglês 4AD, o álbum trazia como temas principais a violência, a dor e a rejeição, tendo como norte musical um som limpo, simples e extremamente melódico. O álbum começa com “Debaser”, totalmente inspirada no filme “Um Cão Andaluz” (Un Chein Andalou), de Luís Buñuel e Salvador Dali (aquele filme que tem a famosa cena de uma navalha cortando um olho, que é de arrepiar). Ali, sob um baixo e um riff de guitarra soberbos, mais o vocal amalucado de Francis, o cantor relata a experiência de ter assistido o tal filme de Buñuel: "Fatiando os globos oculares... ha ha ha ho! Não sei de você, mas eu sou um 'chien andalusia'. Quero crescer para ser um perversor." Na seqüência vem “Tame”, mantendo o mesmo pique que a anterior. Baixo e vocais de enlouquecer, com Francis e Deal gemendo, culminando num orgasmo ruidoso. Confira! É exatamente isso que acontece ali. A terceira música, “Wave of Mutilation”, retrata uma situação que acontecera no Japão alguns anos antes: um número significativo de empresários de sucesso se matou com a família, dirigindo o carro em direção ao mar, devido à vida estressante do mundo urbano. Saquem a letra: “Paro de resistir e me despeço, dirijo o meu carro rumo ao oceano, vocês pensarão que estou morto mas eu velejo para longe numa onda de mutilação, numa onda, numa onda”. São poucos mais de 2 minutos de puro brilhantismo rock. O que comprova que não se precisa de muito tempo para expressar qualidade, e isso o Pixies sempre teve de sobra. São três musicaças!!! E isso é apenas o começo do álbum!!! Na seqüência vem “I Bleed”, que começa com um baixo e uma guitarra despretensiosos para ir ganhando força até explodir em um todo conexo e vibrante. Mais uma vez a poesia – singular – de Black se faz presente "Alto feito o inferno, um sino toca atrás do meu sorriso, sacode meus dentes e, esse tempo todo, enquanto os vampiros se alimentam, eu sangro". O interessante dessa música é acompanhar o vocal de Kim Deal sob o de Francis, em alguns momentos não sincronizados, o que torna a canção mais legal ainda. “Here Comes Your Man” é sinônimo do que uma canção guitarra/baixo/bateria deve ser. Ela pode ser considerada um modelo de como se faz uma excelente canção porp rock. O que sei é que é outra canção do cacete. “Monkey Gone to Heaven” (para mim, a mais legal do álbum) é formada por um refrão ganchudo, sendo extremamente melódica, composta por celos, pelos backing vocal de Kim Deal e por uma letra do caramba, que fala sobre natureza, numerologia e apocalipse. Logo em seguida vem um ska/rockandroll “duca”, divertidíssimo: “Mr. Grieves”. Haja fôlego! E quando se pensa que as coisas poderiam começar a decair, há mais 7 músicas da melhor qualidade. Para ficar com algumas: “La La La Love You” é uma canção idiota (propositalmente) sobre o amor idiota, que começa com uma bateria vigorosa para dali seguir um riff de guitarra e um despretensioso assobio, tudo extremamente grudento e delicioso; “Hey” (que tem um dos baixos mais legais de TODOS OS TEMPOS) na qual um Black Francis canta “Hey, venho tentando te encontrar, hey tem que ter um demônio entre nós, ou vadias na minha cabeça, vadias na minha porta, vadias na minha cama mas hey onde você esteve, se você for, com certeza eu morrerei, estamos acorrentados”. O álbum termina com “Gouge Away”, uma versão “pixiana” para a história de Sansão e Dalila. Eu poderia passar mais linhas e linhas escrevendo sobre Doolittle. Porém, penso que já é um bom começo para você ir atrás desse álbum, que até hoje, 17 anos depois, é motivo de norte, inspiração, cópia etc para uma grande geração de bandas. Caso queira montar uma banda, ouça Dollitle e a monte (ou desista da idéia logo depois).

P.S. - Como diversão, acessem um clipe caseiro bacanudo da música "Hey". O endereço é

http://www.youtube.com/watch?v=-_CSo1gOd48

Moçada,

 

quero agradecer a todos pelas visitas, esperando sempre os comentários de vocês. Espero que possam curtir as indicações da semana, bem como uma sessão que começo hoje: Os Melhores Álbuns de Todos os Tempos.

 

Salve a BOA MÚSICA!!!

 

Abraço a Todos!

 

Alexandre

 
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