Daniel Johnston – Impossible Love

http://www.hihowareyou.com/

 

Conhecendo Daniel Johston – parte I: o cara é admirado por gente do naipe de Brian Wilson, Matt Groening (criador dos Simpsons, que o tem como seu compositor favorito), Sonic Youth, David Bowie e Kurt Cobain (que o considerava o maior letrista de todos os tempos), apenas para citar alguns.

Conhecendo Daniel Johston – parte II: O cara teve/tem uma vida marcada pelo consumo de medicamentos pesados, internações em clínicas psiquiátricas, transtorno bipolar, depressão e megalomania.

Conhecendo Daniel Johston – parte III: O cara é cantor, compositor, pianista, pinta e faz histórias em quadrinhos. Influenciado por Neil Young, Beatles e Sex Pistols, esse californiano, hoje na casa dos quarenta, começou a gravar ainda adolescente, seguindo uma linha mais experimental. Tendo passado grande parte de sua vida no ostracismo, ele começou a ficar conhecido no final dos anos 80 e começo dos anos 90 graças ao fato de duas músicas suas estarem na trilha do badalado filme “Kids”, de Larry Clark, como também por Kurt Cobain citá-lo como uma referência. Para se ter uma idéia da qualidade da sua música, em 1990, o pessoal do Sonic Youth (e quem conhece o Sonic Youth sabe o que essa banda significa para o rock), tocou em seu álbum curiosa e preguiçosamente intitulado “1990”). Outro fato que ajudou a divulgar sua obra foi “The Devil and the Daniel Johnston”, um documentário sobre sua vida, dirigido pelo americano Jeff Feuerzeig, que inclusive foi o vencedor do prêmio de melhor direção em documentários no Sundance Film Festival de 2005.

Conhecendo Daniel Johston – parte IV: no final de 2004, foi produzida a coletânea "Late Great Daniel Johnston: Discovered Covered" que reuniu um pessoal de primeira, admirador de suas canções, como Teenage Fanclub, Tom Waits, Beck, Flaming Lips, Eels, entre outros. O CD (duplo) traz tanto as canções coverizadas quanto as originais, interpretadas pelo seu autor.

O transtornado Daniel Johnston.

The Buzzcocks – Jerk

http://www.buzzcocks.com/site/index.html

 

O The Buzzcocks é uma das bandas punk de mais popularidade no cenário musical mundial. Esse grupo de Manchester, formado em 1975, produz um som intenso, veloz e por vezes furioso (um cruzamento de Sex Pistols - seus contemporâneos - com Monkees), que serve de apoio a letras que retratam basicamente angústias e amores adolescentes. Influenciados por Stooges, The Who e Sex Pistols, a banda sofreu algumas alterações de formação ao longo de sua história, mas sempre arrumou tempo para continuar gravando alguma coisa. A música indicada é do cd “Buzzcocks”, do ano passado. Vale a pena dar uma incursionada por toda a discografia do grupo. Um bom início é procurar algumas (boas) coletâneas que foram lançadas, como “Operators Manual”, de 1991, e “The Complete Singles Anthology”, de 2005.

Unwound - Valentine Card Kantina Were, Are and Was or Is

http://web.archive.org/web/20030703185552/http://unwound.livid.com/index.html

 

Trio norte-americano, formado em 1991, por Vern Rumsey (baixo), Justin Trosper (guitarra e vocal) e Sara Lund (bateria), que te oferece uma porrada sonora através de um hardcore torto e sincopado, que faz teu cérebro girar, girar, girar e permanecer girando. Bebendo na fonte de Sonic Youth e Fugazi, essa turma do barulho gravou seu primeiro álbum em 1993, chamado “Fake Train” (de onde inclusive retirei a canção indicada, uma bomba de mais de 13 minutos com alternâncias de andamento e muita energia). Dali pra frente foram mais seis álbuns, tendo o último sido gravado em 2001. Caso possa, sugiro que você consiga todos os álbuns e os ouça com a calma devida. Somzaço!!!

 

 

Esse é o trio que te soca o cérebro.

The Feminine Complex - Hide & Seek

 

Essa preciosidade é um quinteto formado apenas por garotas de mais ou menos 20 anos, naturais de Nashville, que surgiu na segunda metade dos anos 60. Bom que se diga que elas lançaram um único álbum, em 1969, chamado “Livin´Love” (que em 1996 ganhou formato digital). Executando uma sonoridade que aproximava o soul da psicodelia (algo como um união entre Marvin Gaye e Jefferson Airplane), encontramos no álbum tanto baladas como sons dançantes, sempre pontuadas por vocais suaves e linhas melódicas extremamente competentes. A canção indicada é a que abre o disco. Ouça e veja se em alguns momentos ela não lembra o Sonic Youth, ou se é puro delírio da minha parte. Digo com toda a certeza: é música que muito, mas muito grupo, não só feminino, como de marmanjos queria ter feito. Ou pelos menos eles tentam, aos borbotões, sem sucesso. O que não se entende é porque o grupo não continuou e sua obra seja resumida a um único, porém excelente, álbum. Ouça e seja dragado por esse som. Cuidem bem dos seus ouvidos. Essa banda vai te ajudar, e muito.

Estão aí as moçoilas do FC em versão colégio interno.

Estou repostando algumas sugestões de posts anteriores uma vez que, como escrito anteriormente, as visitas têm aumentado significativamente. Assim, não se trata de preguiça, mas de postar novamente alguns textos já divulgados que eu considero interessantes. Hoje, vamos de Grandaddy.


Grandaddy - Now It's On

http://www.grandaddylandscape.com/

 

 

Dado Meramente Explicativo (versão 1.0): Formada em 1992, em Modesto, na Califórnia, EUA, essa banda executa um maravilhoso indie rock que não te deixa indiferente de jeito nenhum.

Dado Meramente Explicativo (versão 2.0): Formada em 1992, em Modesto, na Califórnia, EUA, essa banda é composta por Jason Lytle: vocal, guitarra, teclado; Kevin Garcia: baixo; Aaron Burtch: bateria; Jim Fairchild: guitarra; Tim Dryden: teclado, e executa um maravilhoso indie-folk-space-rock, repletos de preciso barulhos estranhos (sejam vocais ou não), que não te deixam indiferente de jeito nenhum. A influência do R.E.M., Radiohead e Flaming Lips é algo nítido, o que pode significar muito coisa legal.

Dado Ruim (pessoalmente falando): Não faz tanto tempo que eu conheço o Grandaddy. Havia ouvido uma música ou outra, mas nunca me preocupei em conhecer a fundo essa banda. Fui fazer isso há alguns meses atrás. Constatei, após ouvir uma boa parte da discografia da banda, que deveria tê-lo feito antes! Perdi tempo! Perdi a oportunidade de ter tido muito mais momentos de contentamento na minha vida! Pior para mim.

Dado Péssimo (para quem não tem grana): Entre álbuns, singles, eps, splits (cds geralmente divididos por duas bandas, no qual cada banda grava duas músicas), promo cds etc, essa banda conta com mais de 60 !!! cds gravados.

Dado Excelente (para quem tem banda larga): Entre álbuns, singles, eps, splits (cds geralmente divididos por duas bandas, no qual cada banda grava duas músicas), promo cds etc, essa banda conta com mais de 60 !!! cds gravados.

Dado Patente (bendito seja o Soulseek): As duas primeiras músicas da coletânea que sugiro abaixo não são possíveis de serem encontradas em nenhum dos mais de 60 cds da banda, mas sim em uma simples fita cassete gravada e lançada em 1994. Como ter acesso a isso aqui no Brasil? E depois pedem – e exigem - para que não se compartilhem arquivos?!?!?!

Dado Desastroso de Grandes Proporções (e isso não tem remédio): a banda não existe mais. Encerrou suas atividades após gravar o álbum "Just Like The Fambly Cat", deste ano.

Segue abaixo uma sugestão de coletânea do grupo.

 

 

FUNKADELIC - MAGGOT BRAIN (1971)

Equilíbrio exato entre o funk e a psicodelia.

 

Conheci o som do Funkadelic através do meu amigo/irmão Helton, de Sampa (que possui um blog bem legal). Até então, o que eu conhecia de funk resumia-se a James Brown, ao grupo War, por conta dos álbuns gravados com Eric Burdon e a uma ou outra trilha bacanuda dos anos 60 e 70, como “Shaft”, do Isaac Hayes. Tirando isso, ouvia uma ou outra coisa, mas sem muita atenção. O dia em que ouvi o álbum “Maggot Brain” passei a respeitar e a querer entender muito mais de funk e soul, tal a pancada que levei na minha área de associação sensorial a partir da audição do álbum. Porém, antes das impressões acerca do mesmo, faz-se necessário entender um pouco mais sobre a figura central envolvida no Funkadelic: George Clinton (tão genial quanto os já citados James Brown e Isaac Hayes). Tudo começa quando ele deixa a vida de cabeleireiro em Nova Jersey para tentar a carreira musical. O início foi com um grupo chamado Parliament (que originalmente se chamou The Parliaments, e possuía uma inspiração no clássico The Tempations), que durou 10 anos, de 1970 a 1980 e rendeu 11 álbuns da melhor qualidade, com destaque para “Osmium” e “Mothership Connection”. Contudo, o Parliament executava um funk no sentido mais tradicional, mais dançante. Querendo experimentar, o multi-meios George Clinton resolveu pegar a turma do Parliament (até mesmo pelo processo que a empresa de cigarros Parliament moveu contra George, por não querer estar associada a um grupo de soul music) e formar um outro grupo, com o nome de Funkadelic, no qual eles teriam uma possibilidade muito maior de experimentar (leia-se introduzir em suas músicas elementos psicodélicos). Após dois discos gravados em 1970, “Free Your Mind... And Your Ass Will Follow” e “Funkadelic”, em 1972 veio a obra-prima “Maggot Brain”, com apenas sete faixas, mas que se constitui em uma aula de black music, mas não só. Ali se misturam soul, funk, gospel, hard rock e psicodelia, demonstrando uma sucessão vertiginosa de ritmos que somente atestou a categoria do grupo. O álbum abre com uma das minhas canções preferidas não apenas do Funkadelic, do soul, do r&b, mas da música como um todo. A faixa que leva o nome do álbum (que se inicia com uma breve narração sobre a Terra), é uma viagem lisérgica-melancólica do guitarrista Eddie Hazel, de 10 minutos e 19 segundos, gravado em um único take, bom que se diga, que te abduz sem pena. Tenho certeza que você vai colocá-la para tocar várias vezes tal a forma como ela te atinge no peito e no espírito, te deixando à mercê daquelas fascinantes notas. Na seqüência vem “Can You Get to That”, que começa acústico para se transformar em um funkaço de primeira, daqueles que TEM que estar em qualquer coletânea funk que você cismar em fazer. Atentem-se para os vocais e backing vocais. De arrepiar!!! Com “Hit It And Quit”, o grupo escancara com todas as notas: “Sim, Jimi Hendrix, nós te adoramos!”. Toda conduzida por uma levada “hendrixiana”, destaca-se o órgão tocado por Bernie Worrell, lembrando, em alguns momentos, Jon Lord, do Deep Purple. Outra canção primorosa. "You And Your Folks, Me And My Folks", se submete ao R&B e ao gospel, com um batidão todo pontuado por um “yeah yeah yeah” de fundo. Canção para ouvir e sacudir os ossos. A quinta canção do álbum, “Super Stupid”, caso você a ouvisse no estilo cabra-cega, tenho quase certeza que o primeiro nome a ser verbalizado seria o do Red Hot Chilli Peppers. Sim, moçada, os caras eram “fodaços”, antecipando o que 20 anos mais tarde ficaria conhecido como funk metal, tão bem executado e divulgado pelos “californianos” dos Chilli Peppers. Não à toa, a banda de Flea e cia. chamou George Clinton para produzir o álbum “Freak Styley”, de 1985. A faixa seguinte é “Back In Our Minds”, com um baixo latejante e uma percussão tresloucada que martela, martela e martela... e martela, e nem por isso cansa, muito ao contrário. Tudo se encerra com “Wars of Armagedon”, talvez a faixa mais conceitual-lisérgica-viajante, mas nem por isso menos funk, ou melhor, um funk de respeito, com seus quase 10 minutos. Enfim, o fato do álbum ser composto por sete canções extremamente singulares entre si somado à capacidade de George Clinton e seus comparsas de colocarem para caminhar em uma mesma corda o funk e o rock psicodélico, em equilíbrio perfeito, fazem de “Maggot Brain” um álbum de referência não apenas para os amantes do funk, mas do rock, do soul, do blues, do jazz, enfim, da música em geral. Isso sem contar a capa: um cara de penteado black power com a boca escancarada, como que saindo do meio da terra, conceito que se explica na narração contida na faixa título: “A mãe terra está grávida pela terceira vez, vocês todos acabam de acertá-la (...) Vou ter que me levantar ou me afogar na própria merda”. Ah, o tal cara de black power com a boca aberta é Eddie Hazel, o responsável pelos dez brilhantes minutos da faixa “Maggot Brain”.

 

“A música é sua única amiga... até o fim”. (Jim Morrison)

 

Moçada,

 

antes que eu me esqueça, uma dica de primeira: Foi lançado este ano um álbum do grande Jerry Lee Lewis no qual ele interpreta covers em duetos com gente como B.B. King, Eric Clapton, Mick Jagger, Buddy Guy, Willie Nelson, entre outros. A preciosidade se chama "Last Man Standing" e é imperdível.

 


Quero agradecer, e muito, pelo aumento do número de visitas. Tenho certeza que isso se deu graças à força dos blogs listados ao lado, principalmente o Música Social, o Lágrima Psicodélica o Aluado e o Gambrinus, que disponibilizaram o link do meu blog em suas páginas. Valeu pela força, pessoal!!! Sou grato, realmente.

 

Espero que todos possam curtir as dicas do fim de semana.

 

Salve a boa música!!! Abraço a Todos!!!

 

Alexandre

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