Bright Eyes - The Calendar Hung Itself

http://www.thestoryinthesoil.com/

 

O prolífico prodígio Conor Oberst.

 

O Bright Eyes é uma banda de um homem só, no caso Conor Oberst, de 26 anos, que tem gravado desde os 14 (!!!). Natural de Nebraska, Conor começou tocando na banda “Commander Venus”, que gravou dois álbuns. O início do Bright Eyes se deu em 1997, com o ep Bright Eyes/Squad Car 96. Dali pra cá foram mais de 60 (!!!) obras (entre no site do cara e confira), entre cassetes, álbuns, eps e compilações, coisa que gente que está na estrada há mais de 30 anos jamais produziu. E o melhor de tudo é que nesse caso a quantidade não é inversamente proporcional à qualidade, muito pelo contrário. O cara é bom. Muito bom, diga-se. Alternando suas composições entre lindas baladas folk e um som, digamos, mais furioso, com pitadas de pop, Conor Oberst, vulgo Bright Eyes, toca instrumentos diversos e escreve letras de arrepiar a alma. Veja um trecho de “Lua”, do álbum “I'm Wide Awake, It's Morning”, do ano passado: “Quando tudo se torna solitário eu posso ser meu próprio melhor amigo. Eu pego um café  o jornal, eu tenho minha própria conversa. Com a calçada e os pombos e meu reflexo na janela. A máscara que eu poli à noite de manhã parece lixo”. O que dizer? Não há como se sentir indiferente diante das canções do cara. Som para a vida toda. De quebra, deixo um link para um vídeo no You Tube da canção “Arienette” e uma sugestão de coletânea. Divirtam-se!!!

The One Am Radio – Flicker

http://theoneamradio.com/

 

Há momentos em que lembra o Galaxie 500, há momentos em que lembra o Belle and Sebastian, há momentos em que lembra o Stereolab. Isso só já bastaria para recomendar a banda, vinda da Califórnia, que apesar de parecer com esse povo todo, não faz cópia descarada. Na verdade não é uma banda, mas uma dupla, formada pelo vocalista Hrishikesh Hirway e pela violonista Jane Yakowitz, que faz uma sonoridade melancólica que te pega pelo coração, ou melhor, arranca o teu coração e o fica apertando antes de espatifá-lo na parede mais próxima. Se você está num dia daqueles em que viu sua ex-paixão (ou pelo menos você pensava que ela era sua ex-paixão até aquele momento) com outra pessoa, e quer afogar suas mágoas, entorne uma garrafa de vinho (ou do que você tiver) ao som do The One Am Radio. Se quer entrar na fossa, que seja com um som de qualidade!!!

A dupla em ação no lusco-fusco.

The Replacements - Answering Machine

http://www.theskyway.com/

 

Banda formada nos anos ´80 em Minneapolis que sempre teve uma grande legião de fiéis fãs. Contemporâneo do R.E.M. e Hüsker Dü, o Replacements se firmou como uma das bandas mais legais de rock dos anos 80. Liderada por Paul Westeberg, uma espécie de Bruce Springsteen punk, e inicialmente fazendo um som mais na linha do hardcore, a banda, em pouco tempo, passou a incorporar elementos do rock clássico e do folk rock. Durou de 1980 a 1991, e nesse tempo gravou 7 cds. Três anos depois da separação houve rumores de uma suposta volta, que não se concretizou devido à morte de um dos integrantes, Bob Stinson, em 1995, por overdose de drogas.

Taí o pessoal todo viajandão...

Killing Joke - Death And Resurrection Show

http://www.killingjoke.com/

 

Banda que surgiu no final dos anos 70, tendo lançado seu primeiro álbum, homônimo, em 1980. Nesse disco, pode ser encontrado muito do que foi e é feito em música pesada desde então. Não à toa, uma das faixas do disco, "The Wait", foi regravada pelo Metallica no álbum "Garage Inc.", de 1988, enquanto que o "Foo Fighters", de Dave Grohl, fã confesso do grupo (com quem teve a oportunidade de tocar), em 1999 regravou "Requiem", a faixa de abertura daquele álbum. Misturando sonoridades pesadas e ao mesmo tempo dançantes (a new-wave estava à toda), o Killing Joke conta com uma discografia de mais de quinze cds, estando na ativa até hoje. Diversão garantida!!!

Billy Bragg - It Says Here

http://www.billybragg.co.uk/

 

Antes de falar sobre Billy Bragg, tem-se que trazer à baila a figura de Woody Guthrie, considerado como um dos nomes mais importantes em toda a história da cultura popular norte-americana. Criador da country-music moderna, ele funcionava como a voz daqueles que não conseguiam expressar suas idéias, desejos, necessidades, reivindicações, como os negros, os marginais, os operários etc. Peregrinando de cidade em cidade com o violão às costas (no qual podia se ler em letras garrafais "Esta máquina mata fascistas"), Woody Guthrie, que morreu em 1967, viveu de maneira simples, acreditando que a música podia mudar o mundo. E pra quê falar de Woody Guthrie, se o artista em questão é Billy Bragg? Exatamente porque aquele sempre foi seu maior ídolo, e Billy Bragg se espelhou – e se espelha – na mesma proposta de Woody. Nascido em Essex, na Inglaterra, em 1957, Billy começou tocando em um grupo punk chamado Riff Raff. Bastou pouco tempo para que ele se lançasse em carreira solo unindo a raiva do punk rock com a conscientização política e social de tradição folk, como a executada por Bob Dylan (também seguidor de Woody Guthrie). Dono de um carregado sotaque britânico (como fica claro nessa canção), esse violeiro inglês também encontra espaço em suas letras para falar sobre sentimentos/emoções humanas. Executando o que se convencionou denominar de música de protesto, Billy participou e participa de greves, de ações pró-trabalhadores, de ações beneficentes etc., buscando despertar uma maior conscientização política e social por parte daqueles que o ouve. Deixando a questão política de lado, para se ter uma idéia do quanto o cara é um baita músico, ele trabalhou, para citar apenas alguns, com Smiths, Wilco e R.E.M. Além disso várias bandas já fizeram homenagens às suas canções. E mais além disso tudo, ele recebeu da família de Woody Guthrie (seu maior ídolo) uma batelada de letras não musicadas. Reunido com a banda Wilco, ele musicou e gravou essas canções, registradas nos álbuns Mermaid Avenue – vol. 1 e 2, de 1998 e 2000, respectivamente. Vale – e muito – a pena incursionar pelas cativantes canções desse cara.

Tal como o Woody, Billy também está pronto para o tiroteio.

 

THE DOORS - THE DOORS  (1967)

A liberação de emoções reprimidas através do Rock

 

A coisa toda começa em Venice, Califórnia, em julho de 65, quando, reza a lenda, Ray Manzarek encontrou na praia seu amigo James Douglas Morrison, ou simplesmente Jim Morrison. Conversa vai, conversa vem, Jim recita uma estrofe de um de seus poemas: "Vamos nadar para a lua/ Vamos escalar a maré/ Penetrar no fundo da noite/ Que o sono da cidade esconde.” O tal encontro entre os dois amigos rendeu a idéia de montarem uma banda. O nome “The Doors” foi tirado de um livro de Aldous Huxley, chamado “The Doors of Perception: Heaven and Hell”, que fora inspirado em um verso do poeta e pintor inglês William Blake: "Quando as portas da percepção forem purificadas o homem verá as coisas como realmente são, infinitas". Esse foi o mote, então, para juntar Blake, Huxley, Brecht, mescalina, psicodelia e rock and roll. Nascia o grupo que em pouco tempo já contava com sua formação clássica: Jim Morrison (vocais), Ray Manzarek (tecladista que, com a mão esquerda executava as partes que deveriam ser tocadas pelo baixo, dando um teor meio “cósmico” à coisa), John Densmore (guitarrista com influência de música flamenca e indiana) e Robert Krieger (baterista que possuía uma forte “pegada” jazzística). Gravado em agosto de 1966, o álbum "The Doors" foi composto por canções de autoria dos músicos e por alguns covers, que faziam parte do repertório fixo da banda. Embora seja o primeiro álbum do grupo, o que poderia sugerir algo mais contido, algo como uma fase de experiência, o que se tem é exatamente o oposto disso. A banda pariu um álbum ousado, agressivo, revolucionário e transgressor, senão veja-se: tentem imaginar uma mistura de existencialismo, alucinações psicodélicas, prazer, sexo, violência, medo, terror, pavor, culpa, amores desencontrados e morte, tudo isso alinhavado por uma sonoridade blues, permeado pela música negra e entremeado por elementos de um hard rock psicodélico. Pois bem, isso é “The Doors”. A música que abre o álbum é “Break On Through”, que, de imediato, te joga na cara que sua pasmaceira é danosa e que você tem que fazer alguma coisa em relação a isso: “Você sabe que o dia destrói a noite, a noite divide o dia, tentei correr, tentei me esconder, atravesse para o outro lado, atravesse para o outro lado”. Canção que começa morna e aos poucos ganha vigor, explodindo em um dos grandes momentos rock and roll que eu já ouvi. Destaque para os teclados de Manzarek que parecem um personagem que está fora da música, tal a sua formidável e peculiar execução. “The Crystal Ship” é uma belíssima balada etérea melancóica que começa com os seguintes versos: “Antes de mergulhar em sua inconsciência, eu gostaria de outro beijo, outra oportunidade fugaz de felicidade, outro beijo, outro beijo”. Caso queira fazer um cd para dar à pessoa amada, essa canção é item necessário. Acima, escrevi que além de composições próprias o álbum também contava com alguns covers. São eles “Alabama Song”, canção retirada de uma ópera escrita por Bertolt Brecht e Kurt Weill, em 1929, chamada “A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny", e “Back Door Man”, um extraordinário blues de autoria de Willie Dixon, que faz parte do álbum “I am the Blues”. Houve espaço ainda para uma canção que a turma gótica iria adorar, “End of the Night”, canção mórbida, com um arranjo sombrio e um vocal cavernoso de Morrison. Destaque para a bela guitarra de Densmore. São ainda desse álbums três canções geniais. “Take It As It Comes”, um baita rock, despretensioso, pra cima, grudento, que poderia, para se usar um termo da moda, ser a música de trabalho do disco. Talvez a canção mais pop e digerível do álbum, que ganhou uma versão definitiva do Ramones no álbum “Mondo Bizarro”, de 1993 (isso ajuda eu achá-la genial). A outra cançao é “Light My Fire”, que tornou o grupo mundialmente conhecido. Para começar, ela é completamente diferente do padrão seguido pelas canções da época que, em sua grande maioria, giravam em torno de 3 minutos. Aí vem essa turma e lança uma canção que durava mais de 7 minutos, com fantásticos solos, tanto de teclado quanto de guitrarra, e com uma letra de clara conotação sexual: “Come on baby light my fire”. Rock and roll em estado puro!!! E a terceira canção genial é exatamente a que fecha o álbum: “The End”, na qual, em mais de 11 minutos, é construído um drama edipiano que possui a imortal frase: "Pai, quero te matar / Mãe, quero te foder". “The End” é pura alucinação psicodélica hipnotizante, com um arranjo perfeito, de arrepiar, com mudanças de andamento, onde cada integrante executa com a maior maestria possível a parte que lhe cabe. “The End” se tornou uma das favoritas dos soldados norte-americanos no Vietnã, sendo aproveitada anos mais tarde pelo diretor Francis Ford Coppola em seu épico sobre o Vietnã, “Apocalipse Now”. Por isso tudo, “The Doors” é um álbum atual, original, essencial. O álbum seguinte, “Strange Days” também é algo precioso, que merece ser destacado e ouvido. Mas, se se tivesse que escolher um, eu ficaria com a primeira obra dessa fantástica banda, liderada por um cara genial que buscou, através da música, a sua catarse, que, por vezes, se tornou/se torna a nossa própria. Ouça “The Doors” em um volume bem alto e de olhos fechados, e apenas confirme o que eu acabei de escrever.

“A música é sua única amiga... até o fim”

 

Moçada,

 

mais uma vez agradeço pelas visitas!!! Porém, faltam os comentários. Comentem para eu ter um retorno mais claro da opinião de vocês sobre o blog.

 

Salve a Boa Música! Abraço a Todos!

 

Alexandre

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