LED ZEPPELIN - LED ZEPPELIN

Visceral Euforia Virtuosa

 

Quando se fala em Led Zeppelin, é impossível dissociá-lo do rótulo de precursor do heavy metal. Tanto assim que sua mistura de rock pesado com blues, psicodelia e folk representou um norte e tanto para uma porção de bandas que surgiriam depois. Quanto às influências, apenas para citar algumas, tem-se Elvis Presley, Muddy Waters, Willie Dixon, Beatles, Rolling Stones. O embrião do grupo foi uma banda montada por Jimmy Page, “The New Yardbirds” (obviamente formada a partir das cinzas do Yardbirds, grupo que se notorizou por ter revelado, além de Jimmy Page, outros dois grandes guitarristas ingleses Eric Clapton e Jeff Beck). Em 1967, Page é abandonado pelos músicos da banda. Porém como havia shows pendentes e dívidas a serem pagas, ele foi à cata de uma nova formação. O baixista John Paul Jones, o primeiro a fazer parte do novo projeto, indica o vocalista Robert Plant, membro de um grupo chamado "Hobbstweedle", que se uniu aos dois, trazendo consigo o baterista John Bonham (na minha opinião, um dos maiores bateristas de toda a história da música). Cumpridos os compromissos, em 1968 a banda adota o nome definitivo e grava o primeiro disco “Led Zeppelin”, que é lançado em janeiro do ano seguinte. Este álbum foi o resultado perfeito da combinação do blues + rock, demontrada pelo peso da guitarra de Page, pelo baixo intenso de Jones, pela bateria alucinada de Bonham e pela voz, por vezes, aguda, por vezes, rascante, de Plant. Era um som original, com vínculo (emocional e racional) no blues, mas tocado de modo um pouco mais pesado. Um álbum, enfim, que introduziu signifcativos conceitos para o rock, a partir de uma interpretação extremamente original daquele gênero. O álbum tem início com “Good Times Bad Times”, faixa de um pouco mais de dois minutos e meio que apresenta e sugere a sonoridade adotada pela banda. Com uma bateria vigorosa, a canção conta com um belo solo (embora curto) de Page e apresenta a voz de Plant um pouco mais contida. Canção arrebatadora!! Excelente faixa para abrir um álbum desse calibre. A faixa seguinte é uma das minhas preferidas de toda a discografia da banda: "Babe, I'm Gonna Leave You". Conduzida por uma guitarra acústica, a canção, que não é composição da banda, mas sim uma canção tradicional inglesa, segue por quase um minuto com o dedilhado delicado de Page servindo de base à voz, calma, de Plant. De repente vem a bateria e o baixo, que ficam até mais ou menos quatro minutos se alternando com o vocal solitário de Plant, quando irrompe um hard rock de primeira que se sustenta até o final. Uma aula de como misturar folk com rock pesado. A música seguinte é a versão definitiva para o clássico “You Shooke Me”, de Willie Dixon. O Led Zeppelin toma essa fantástica canção e a transforma em um sedicioso e elétrico rock and roll. Blues sendo tocado de forma pesada e visceral. Três momentos dignos de nota: o órgão tocado por Jones, a harmônica executada por Plant, e o duelo, já na parte final da canção, entre o vocal de Plant e a guitarra de Page. De arrepiar!! E quando, ao ouvir os últimos acordes dessa canção, você pensa em respirar, se refazer, surge - emendada - outra paulada: “Dazed and Confused”, um virtuoso rock pesado, que poderia muito bem ilustrar o tipo de som do grupo. Com uma introdução matadora, na qual o baixo de Jones, soando como se numa valsa, se solidariza aos acordes de Page, que abre espaço para os versos cuspidos por Plant, para em seguida surgir a bateria de Bonham, e dali um riff espetacular, a canção se mantém vigorosa o tempo todo, na qual todos os componentes demonstram a sua competência. São quase seis minutos e meio de puro delírio musical. Um clássico. Há uma versão dessa música no cd ao vivo “The Song Remains the Same”, de 1976, no qual o delírio se prolonga por quase 27(!!!) minutos. Vale a pena dar uma conferida. Na seqüência, as coisas se acalmam um pouco. Primeiro vem “Your Time Is Gonna Come”, uma bela canção folk, meio despretensiosa, mas mesmo assim, marcante. Em seguida, colada a essa, “Black Mountain Side”, que já acenava a influência da música celta para o grupo, o que iria se confirmar em álbuns posteriores. “Communication Breakdown” retoma o peso de antes, fazendo par com a canção de abertura. Música perfeita para se iniciar uma coletânea. Pauleira pura!!! A penúltima canção é mais uma homenagem a um dos ídolos da banda, Willie Dixon. Como se não bastasse “You Shooke Me”, a banda recria mais um clássico do mestre do blues: “I Can´t Quit You Baby”. Blues em estado de graça! Canção para se ouvir “n” vezes sem se cansar. Difícil dizer qual versão é melhor. Na dúvida, fique com as duas. O álbum termina com a épica “How Many More Times”, de oito minutos e meio. Energia rock-blues concentrada em uma única canção. Precisão rítmica e melódica. Canção que beira à excelência para fechar um álbum excepcional. E isso foi apenas o início da banda. Porém, o melhor início que se poderia querer. Nossos corpos, almas e corações, enternecidos, agradecem.

Sigur Rós – Untitled 8

http://www.sigur-ros.is/

 

Formada em 1994, na Islândia, essa originalíssima banda, liderada pelo guitarrista e vocalista Jon Thor Birgisson, conta ainda com Orri Páll Dýrasson, Georg Holm e Kjartan Sveinsson. A banda gravou 4 álbuns, alguns eps e singles, porém, suficientes para demonstrar que o mundo, algumas vezes, pode ser algo maravilhoso. Apesar do primeiro álbum ter sido lançado em 1997, o reconhecimento viria com  "Agǽtis Byrjun" (Um Bom Começo), que foi qualificado pela crítica musical como um dos melhores álbuns de todos os tempos. Aproveitando a deixa, Cameron Crowe jogou três músicas do Sigur Rós no filme “Vanilla Sky” (que vale mais pela trilha do que pelo filme em si), o que contribuiu ainda mais para que a banda ficasse conhecida. Para se ter uma idéia da originalidade do grupo, o álbum lançado em 2002 se chamou ( ). Isso mesmo. E nenhuma das músicas possui título (muito embora posteriormente a banda as tenha nominado em seu site oficial). Além disso, as canções do álbum foram escritas em uma linguagem chamada “hopelandic” ("vonlenksa" na língua original), algo traduzido como um “esperancês”, inventada por Jon, que se aproxima muito do islandês. A intenção (suposta) é a de que o ouvinte é quem deve criar um significado das letras e escrevê-lo nas páginas - em branco - do encarte do disco. Belo exercício para quem curte escrita!!! E o som? O som parece vir do céu, de algum outro planeta, de alguma imensidão perdida por aí, sei lá. O fato é que uma das coisas mais belas e grandiosas que eu já ouvi na vida. Ao ser tomado pelo som do Sigur Rós você não será mais o mesmo. Para começar, ouça a canção indicada, “Untitled” (que eu chamei de Untitled 8, já que, como eu escrevi, as canções do álbum ( ) não possuem título, tratando-se da oitava canção dali), vá as alturas, flutue, entre em queda livre para se estatelar no chão, e ainda gostar disso. Apenas como curiosidade, o nome do grupo veio após o nascimento da irmã de Jon, chamada Sigurrós (um nome feminino bastante comum na Islândia), que significa algo como Vitória Rosa ou Rosa da Vitória. Como dica, segue abaixo uma sugestão de coletânea. Como bônus, fiquem com o clipe maravilhoso da canção Glósóli, do último álbum da banda, de 2005, Takk.

Slint - Good Morning, Captain

http://www.slint.us/

 

Tudo o que você deve saber sobre o Slint – Parte Única

Trata-se de uma banda americana (que nasceu do que sobrou da banda Squirrel Bait) que durou míseros cinco anos, de 1987 a 1992, o que significa que poderiam ter feito mais, muito mais. Pior para nós. Formado por Brian McMahan [guitarra/vocal] e Britt Walford [bateria], somados a David Pajo [guitarra] e Ethan Buckler [baixo], o grupo foi um norte para uma batelada de bandas surgidas nos pós 1990, principalmente para as do movimento grunge. Curiosamente, o Slint acabou não tendo o sucesso merecido devido à extrema exposição do “som de Seattle” que dominou a primeira metade dos anos 90. A banda gravou apenas dois cds, porém, duas maravilhas sonoras: “Tweez”, de 1989, e a obra-prima “Spiderland”, de 1991. O som da banda, que, aparentemente, mostra-se desconexo, é limpo, denso, complexo, perturbador, angustiante, sombrio, progressivo, psicodélico, experimental, repleto de andamentos pouco convencionais, alterações no volume das músicas, vocal constituído por sussurros, que se transformam em falas, que por sua vez se irrompem em berros tresloucados e agonizantes (confiram a canção indicada), enfim, um caos sonoro, mas não no sentido negativo que esse termo possa ter. Apenas para se ter noção da originalidade da banda, uma de suas marcas foi nomear as faixas do primeiro álbum com o nome de parentes ou de animais de estimação do pessoal do grupo, o que fez com surgissem faixas como “Ron”, “Carol”, “Warren”, “Pat” etc. Importante ressaltar que esse álbum foi produzido por Steve Albini (que entre outras maravilhas tem em seu currículo a produção dos álbuns “Surfer Rosa”, do Pixies, e “In Utero”, do Nirvana). A música indicada é a última do segundo e último disco do Slint, a já citada obra-prima “Spiderland”, uma porrada sonora de seis faixas, distribuídas em menos de quarenta minutos, que te cata, te põe do avesso, e torra teu cérebro, que fica à mercê em rodopio. Nessas você não tem para onde correr – e nem vai querer.

 

Tudo o que você deve saber sobre o Slint – Apêndice

Trata-se de uma banda americana que anunciou sua volta, 14 anos depois, o que significa que poder fazer feito mais, muito mais. Melhor para nós.

 

Os caras do Slint, ainda jovanotos.

Polyphonic Spree - Section 11 (A Long Day Continues - We Sound Amazed)

http://www.thepolyphonicspree.com/2.0/

 

Esse grupo possui como um dos fãs principais David Bowie e é comparado com Flaming Lips e Beach Boys (!), o que significa muita coisa. Liderado por Tim DeLaughter, que saiu do “Tripping Daisy”, desfeito após a morte por overdose do guitarrista Wes Berggren, o Polyphonic Spree é, na verdade, um mega-grupo vindo do Texas: são 23 pessoas: 13 cantores que compõem o vocal (uma espécie de coro gospel psicodélico) e 10 instrumentistas (que tocam, entre outros instrumentos, órgãos, trompetes, harpas, flautas, theremins e trombones). Sempre vestidos de mantos brancos ou coloridos, pela possível dispersão visual que mais de vinte integrantes poderia causar, o Polyphonic Spree, com seus shows, que são pregações quase religiosas, e seu coral pop sinfônico (e psicodélico) beira o sublime através de particularidades instrumentais que são descobertas após várias e várias audições, a partir de instrumentos não tão comuns e dos timbres de vozes do coro (o maior diferencial do grupo), que criam uma delicada harmonia quase que angelical às suas canções. Com dois cds gravados, “The Beginning Stages”, de 2002, e “Together We’re Heavy”, de 2005, a banda desfila influências dos Beatles, Beach Boys, Flaming Lips, Sigur Ros e por que não, Supertramp. Vale a pena ter os dois cds da banda. Não percam de jeito nenhum!!! Uma dica: procurem a versão que eles gravaram de “Lithium”, do Nirvana. É uma das covers mais legas que ouvi ultimamente. Um brinde: fiquem com o clipe de uma canção da banda (Light and Day) que está no belo filme “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças” de Michel Gondry, de 2004.

Taí o grupo, pronto para pregar.

Pelican – Mamooth

http://www.hydrahead.com/pelican/

 

Banda originária de Chicago, composta por Laurent Lebec (guitarra), Trevor de Brauw (guitarra), Larry Herweg (bateria) e Bryan Herweg (baixo). No início, o grupo se resumia a uma banda de heavy metal. Por ter perdido o vocalista, eles foram obrigados a ensaiar sem os vocais. Gostando do resultado, o então quarteto decidiu seguir pela linha metal-instrumental. Assim, o Pelican é um típico exemplo do que se convencionou chamar de pós-metal, muito embora, sua sonoridade fuja facilmente dos rótulos, ficando sobranceira - mas bem próxima - à musica pesada, e mergulhando, por vezes, em belas linhas melódicas. Claro que em sua música há a influência do heavy metal, mas apenas como... influência. Elaborando canções ora serenas, ora furiosas, repletas de variações, o Pelican termina por produzir uma agradabilíssima sensação a quem ouve a sua coleção invejável de excelentes canções, diga-se, que, por enquanto, se resumem a apenas um ep e dois álbuns (“Australasia” e “The Fire Our Throats Will Beckon the Thaw”) que devem ser ouvidos por vocês o quanto antes. Não percam tempo e visitem as “boas casas do ramo” para encontrar essas preciosidades. Item urgente!!! De quebra, fiquem com uma apresentação ao vivo banda.

 

Red House Painters – 24

http://www.sunkilmoon.com/

 

Banda originária de São Francisco, composta por Gordon Mack (guitarra), Jerry Vessel (baixo), Anthony Koutsos (bateria) e Mark Kozelek (vocais, guitarra), que na verdade é quem “manda prender e mandar soltar” dentro da banda, tanto que a sua carreira solo como os seus outros projetos são devidamente reconhecidos, dada a competência de Kozelek. Dotado de uma extrema sensibilidade, tanto nas letras quanto nas melodias, Kozelek é o maestro da sonoridade do RHP. O norte musical é conduzido por canções melancólicas, guitarras suaves, praticamente dedilhadas e um vocal que exala angústia, tudo isso costurado por sensações de emoção, saudade, beleza, dor, intensidade, perda, melancolia. O grupo gravou seis álbuns: “Down Colorful Hill”, de 1992; “Red House Painters (I)” e “Red House Painters (II)”, ambos de 1993; “Ocean Beach”, de 1995; “Songs for a Blue Guitar”, de 1996; “Old Ramon”, de 2001. Depois de um breve desaparecimento, Kozelek reapareceu, em 2003, com a banda “Sun Kil Moon”, formada por outros integrantes, mas mantendo o mesmo clima de outrora. A canção indicada é a primeira do primeiro álbum, “Down Colorful Hil”. Vale a pena uma audição cuidadosa em toda a discografia da banda.

O carinha de óculos ao fundo não parece um misto de Dave Grohl com Steve Buscemi?

"A música é sua única amiga, até o fim".

 

Moçada,

 

me desculpem pela ausência semana passada, mas o tempo (apesar do feriado) ficou curto e eu não pude atualizar o blog, o que faço hoje. Mais uma vez, quero agradecer pelas visitas e pedir que vocês comentem: COMENTEM!!!

 

Abraço a Todos!!!

 

Alexandre

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