Thom Yorke – Analyse

http://www.theeraser.net/Stage3UK/

 

O sempre perturbado Thom Yorke

 

Graças às "boas casas do ramo", em junho do ano passado, eu consegui o primeiro álbum solo do Thom Yorke, “The Eraser”.  Não quis esperar para comprá-lo, afinal as lojas brasileiras, via de regra, demoram um tempão para colocar no mercado as coisas boas da música gringa. No caso de “The Eraser”, salvo engano, até hoje não foi lançado no Brasil e sabe-se lá quando (e se) será lançado. Sorte que ganhei de Natal da minha esposa o cd importado. Presentaço! (Valeu Nani!) Enfim, naquele momento, por estar na fase final de minha tese, ouvi o cd mas sem muita atenção. Deixei-o na minha pasta de “Melhores” para ouvi-lo posteriormente, coisa que não fiz. Passados alguns meses fui assistir ao sensacional “O Grande Truque” (The Prestige), de Chistopher Nolan. Assim que começam os créditos finais, surge uma voz conhecida, reconhecida primeiramente pela minha esposa: Não é o Thom Yorke? Era. E a música era uma beleza! Chegando em casa, fui à caça da tal música e a ouvi com a calma devida. Perfeita! A partir dali é que fui ouvir o cd da forma que ele merece ser ouvido. Produzido por Nigel Goodrich (responsável pela obra-prima Ok Computer), "The Eraser" poderia soar apenas como um disco eletrônico. Mas não. É um misto de rock, eletrônico e progressivo. Claro que ali podem ser encontrados ecos de “Kid A”, “Amnesiac” e “Hail to the Thief”, os álbuns menos rock and roll do Radiohead. Mas reduzi-lo a um álbum de música eletrônica, embora as guitarras sejam raras, é desmerecer sua qualidade. Intimista, melódico, baixo, aflitivo, intenso, belo, “The Eraser” é composto por camadas eletrônicas, ruídos que “sujam” as canções, sons secos, teclados econômicos, tudo costurado por uma textura minimalista, a servir de pano de fundo para letras ora paranóicas ora tristes, mas sempre explícitas do autor Thom Yorke. Por exemplo, o título de uma das canções “Harrowdown Hill” é o nome do lugar no qual o cientista David Kelly, opositor das políticas de Tony Blair em relação às armas de destruição maciça, teria, supostamente, se suicidado. Um aviso: não queira comparar “The Eraser” com qualquer outro disco do Radiohead. Não há como. Esse é um disco autoral, criado, modelado e executado por Thom Yorke. Caso o faça, você não estará suscetível para incorporar toda a qualidade de um álbum que merece estar no lugar de “melhores” seja da sua cdteca, seja do seu computador. Mais uma vez, esse inglês nos abençoa com a melhor música que seja possível ouvir - e sentir.

Babybird - Atomic Soda

http://www.babybird.co.uk

 

 

Na verdade Babybird (ou Baby Bird – o cara usa as duas alcunhas para trabalhos distintos) é o prolífico inglês Stephen Jones que canta, compõe, toca, escreve e atua. Há mais de 10 anos ele já chamava a atenção com seu álbum, Ugly Beautiful, um primor sonoro, registrado num gravador de 4 canais, ao qual se seguiram mais três no mesmo ano. É dali que vem a canção indicada. Dono de um timbre vocal semelhante ao de Ian McCulloch, do Echo And The Bunnymen, Babybird explora a amargura,a tristeza a melancolia e a ironia por suas canções pop indie rock espalhadas em mais de 15 cds, entre álbuns, eps, singles. Como brinde, fiquem com o clipe da música “Cornershop” e a indicação de uma coletânea. Bom divertimento!

 

stellastarr* – In the Walls

http://www.stellastarr.com/

 

Antes que surjam dúvidas, o nome do grupo se escreve assim mesmo, com dois “eles”, dois “erres” e asterisco. Vinda de Nova York, a banda é formada por Shawn Christensen, Amanda Tannen, Arthur Kremer e Michael Jurin, todos conhecidos de uma escola de arte. Quanto ao som, pode-se dizer que se trata de um indie rock influenciado pelo “new wave” repleto de refrões pegajosos. Ah! Claro que, assim como 99,99% das bandas de hoje, o stellastarr* também é influenciado por Mr. Black Francis. Confiram as canções de seus dois cds, o primeiro, homônimo, de 2003, e “Harmonies for the Haunted”, de 2005 e vejam se as vocalizações do líder do Pixies não estão ali. Ponto pra eles!

O pessoal do stellastarr* com o new wave estampado na cara.

Isis - Wrists Of Kings

http://www.isistheband.com/Home.aspx

 

Banda de Los Angeles de rock experimental que junta heavy metal, punk e hardcore, explorando ao máximo os riffs e as repetições de notas. Influenciado por bandas como Pelican, Godspeed You! Black Emperor e Tool, mas sem se resumir em cópia, o grupo conta com uma já respeitável discografia de mais de 10. A sonoridade coesa e crescente das canções vai te capturando aos poucos e de repente você está preso pelos extensos minutos que, quase sempre, compõem suas canções. Não é um som para se ouvir de passatempo. É som que merece tempo, cuidado e acuidade. É som para ser degustado, aos poucos.

Bloc Party – Hunting for Witches

http://www.blocparty.com/

 

Banda inglesa, criada em 2002, que já ostentou diversos nomes tais como “Superheroes of BMX, Diet, Union etc. O grupo, formado por Kele Okereke (vocais/guitarra), Gordon Moakes (baixo/backing vocals), Russell Lissack (guitarra) e Matt Tong (bateria), todos amigos de escola, começou fazendo covers da banda Ash. Bebendo muito na fonte dos anos 1980 como Joy Division, The Cure, Clash, além de Sonic Youth, o Bloc Party ficou um bom tempo abrindo shows de bandas como Zutons e Franz Ferdinand, até gravar, em 2005, seu primeiro álbum, “Silent Alarm”, um delicioso petardo sonoro, coeso, bruto, cuspido em um só fôlego. Já não era sem tempo de oferecer um espaço ao Bloc Party por aqui, mas agora, aproveitando o lançamento do seu novo álbum “Weekend in the City”, venho preencher essa lacuna. Ouvi-o apenas uma única vez e por essa audição ficou claro que seu som está mais maturado, mais “adulto”, sem ter se tornado chato. A canção sugerida é a segunda do novo álbum que será lançado em fevereiro, mas que eu consegui "nas boas casas do ramo". Confiram!

“A Música é sua única amiga... até o fim”

 

Moçada,

 

após uma longa ausência de mais de dois meses estou retornando a preencher esse espaço com o assunto que lhe é devido: MÚSICA. Peço desculpas por essa lacuna, mas agora farei o possível para SEMANALMENTE disponibilizar cinco dicas musicais e semana sim semana não escrever a sessão “Os Melhores Álbuns de Todos os Tempos”, o que havia começado a fazer pouco tempo antes dessa parada. Apenas para recordar, estão ali críticas dos seguintes álbuns: Doolitle (Pixies), Maggot Brain (Funkadelic), The Doors (The Doors), Electric Mud (Muddy Waters),  Led Zeppelin (Led Zeppelin), Ok Computer (Radiohead). Para quem já leu, é sempre bom uma releitura. Para quem não leu, e estiver com tempo sobrando, dê uma espiada. E quem quiser sugerir álbuns e dicas musicais pode escrever para dastripasmusica@uol.com.br

 

Grande abraço! Boas audições!

Alexandre

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